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«Somos uma espécie de oásis de maturidade democrática e 2018 não fugiu a essa regra»

«Somos uma espécie de oásis de maturidade democrática e 2018 não fugiu a essa regra»

Especial Balanço 2018 e Perspetivas para 2019 em entrevista a António Silva Tiago, presidente da Câmara Municipal da Maia.

MaiaHoje (MH) - Que balanço faz, a nível local, do ano político de 2018?

 

António Silva Tiago (AST) - Ao nível local, o ano político da Maia foi um ano tranquilo. As secções locais dos partidos desenvolvem as suas atividades de forma normal e natural e a discussão política local tem sido feita nos locais adequados e de forma madura. E isso é o reflexo de que a Maia é uma sociedade equilibrada, participativa, e que sabe o que quer e quais são as alternativas políticas disponíveis. Ou seja, somos uma espécie de oásis de maturidade democrática e 2018 não fugiu a essa regra.

 

MH - Para si, o que elegeria como o “pior” de 2018?

 

AST - Para a Maia, o pior de 2018 é uma continuação de anos anteriores:  a contínua “surdez” do Governo ao justo protesto dos maiatos contra a injustiça que representam os pórticos das portagens da A41 existentes no nosso concelho, que são uma intolerável discriminação relativamente aos concelhos vizinhos e um sério entrave à nossa competitividade económica e ao nosso direito à mobilidade. E se juntarmos a isto a incapacidade do Governo resolver a questão da E.N. 14, que se arrasta, sempre pronta a arrancar mas sem nunca o fazer, somos quase tentados a concluir que os maiatos são objeto de uma quase perseguição pelo Estado central. Nesta matéria, eu não quero acreditar em bruxas, mas que parece que as há, lá isso parece.

 

MH - Para si, o que elegeria como o “melhor” de 2018?

 

AST - Tenho que eleger o dinamismo do tecido económico da Maia e a resiliência dos maiatos, que mais uma vez foi evidente em 2018. A Maia consolidou-se em 2018 como uma das potências económicas nacionais no domínio da exportação de bens e serviços. Somos um dos motores da economia regional e nacional. E isso, obviamente, não acontece por acaso. A Maia soube tomar decisões políticas para preparar as condições de acolhimento de empresas e hoje é um território de grande atratividade para a criação de novos negócios geradores de empregos de qualidade e de riqueza. Todos os dias recebemos na Câmara Municipal empresas e empresários com vontade de se instalar na Maia e os dados do Centro de Emprego local indiciam que a Maia vive hoje uma situação muito próxima do pleno emprego, havendo já ofertas de trabalho que ficam por preencher por inexistência de mão de obra disponível. Uma boa parte deste resultado é devido aos maiatos que souberam valorizar-se e dotar-se de competências valiosas para o mundo do trabalho. A força de trabalho disponível na Maia é de elevada competência e qualidade.

Destaco finalmente a conclusão derivada de uma profunda avaliação dos municípios portugueses feita pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, sobre a Qualidade da Governação Local em Portugal:  na vertente da “Voz dos Cidadãos e Prestação de Contas” a Maia está no Top 20 (16º) dos municípios portugueses, sendo mesmo o 2º município melhor colocado de entre aqueles que têm mais de 100 mil habitantes. É o justo reconhecimento de que praticamos aquilo que é para mim a essência da Democracia: ouvir atentamente os maiatos e os seus anseios e prestar-lhes contas de forma rigorosa e transparente.

 

MH - O que espera, a nível local, do ano político de 2019?

 

AST - Espero uma continuação da normalidade e estabilidade democrática condizente com a nossa maturidade: propostas políticas claras e sensatas, discussão política elevada e com respeito pelas instituições democráticas e, sobretudo, pela inteligência dos maiatos. E que, todos, possamos celebrar condignamente os 500 anos do Foral atribuído à Maia, à altura da memória e da herança que nos legaram aqueles dos que nos antecederam na construção da Maia que somos hoje.

 

MH - A nível nacional, o que elegeria como o “pior” e o “melhor” em 2018 e quais as expectativas para 2019?

 

AST - Para mim, a nível nacional, o pior de 2018 foi a continuação em Portugal de tragédias que ceifaram vidas desnecessariamente, aparentemente porque o Estado português, em sentido lato, não consegue cumprir uma das suas mais importantes missões e razão suprema da sua existência conceptual: proteger os cidadãos perante os imponderáveis, sejam eles derivados da incúria humana ou da ação da Natureza. Depois dos incêndios assassinos do ano transato, os casos de Borba e do INEM, vêm reforçar esta sensação incómoda de que o cidadão anónimo está à mercê da sua sorte e não pode contar muito com as instituições que o Estado criou para a nossa proteção.

O melhor, em Portugal terá que ser continuada descida da taxa de desemprego e o equilíbrio das Finanças Públicas que parece ser possível atingir. Não devendo ser um objetivo em si mesmo, umas finanças públicas saudáveis sempre serão uma condição essencial para o desenvolvimento equilibrado de qualquer sociedade. Pode não se concordar com os métodos utilizados e está por apurar se a aparente deterioração da qualidade dos serviços públicos são resultado do desinvestimento público efetuado para cumprir as metas do défice ou até se a carga fiscal não será exagerada, mas eu sou dos que acho, até pela minha prática na Câmara Municipal, que boas contas são sempre um fator positivo e um bom cartão de apresentação para qualquer país.

Em Portugal, 2019 será ano de várias eleições e, por isso, natural que o debate político se intensifique e as campanhas eleitorais comecem paulatinamente a preencher as agendas mediáticas. Espero que, não obstante isso, nada de trágico aconteça no país e que as incertezas que dominam a Economia mundial, que apresenta já alguns sinais de retração, não afetem muito duramente uma economia aberta como é a nossa.

 

 

MH - A nível internacional, o que elegeria como o “pior” e o “melhor” em 2018 e quais as expectativas para 2019?

 

AST - O pior, são sempre as guerras e as tragédias naturais que ceifam vidas inocentes e geram um imenso sofrimento pessoal e coletivo. Só na Síria, a guerra em 2018 terá provocado quase 20 000 mortos apesar de ser o ano com menos vítimas ainda assim é um número brutal. Nada justifica o sacrifício de cidades inteiras de inocentes em nome não se sabe bem do quê.

Em 2018, a nível internacional, registo como o melhor que aconteceu o resgate das crianças tailandesas que ficaram presas durante o verão, numa gruta inundada. O movimento internacional de ajuda que se gerou espontaneamente e a enorme capacidade de superação de heróis anónimos capazes de arriscar a sua própria vida para salvar um estranho são exemplos inspiradores para mim e sempre renovam a minha fé na humanidade e na sua capacidade de se superar perante a adversidade.

Para 2019 espero que o BREXIT (que não sei se acontecerá ou não) não introduza desequilíbrios que afetem o desenvolvimento económico e social da Europa e da mesma forma que a guerra comercial que se vislumbra possa acontecer entre a China e os EUA não se concretize, pois isso traduzir-se-ia em efeitos nefastos para o comércio mundial. Lembro que a Humanidade vive, como nunca aconteceu, uma época de prosperidade em termos globais. Largas dezenas de milhões de pessoas têm sido resgatadas, todos os anos, à miséria absoluta graças ao desenvolvimento e crescimento do comércio mundial. Essa guerra comercial entre blocos iria seguramente prejudicar ou até inverter essa tendência o que seria, obviamente, um retrocesso humano trágico.

08-Jan-2019 às 11:49, Ana Sofia Silva

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