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Descentralização de competências em Saúde? Se houver Competência...

Descentralização de competências em Saúde? Se houver Competência...

Opinião de Ricardo Oliveira.

A Holanda é tido como um dos países mais desenvolvidos na área da saúde e na sua gestão global. Ao contrário da visão hospitalocêntrica que reina na maioria dos países da União Europeia, a Holanda há muito que descobriu os benefícios da centralização dos cuidados nos cuidados de saúde primários. Efectivamente, não há, naquele país, ninguém que se atreva a ir a uma qualquer urgência sem que antes tenha sido visto pelo seu médico de família, ou por outro que o esteja a substituir.

É evidente que para que isto aconteça, são cumpridas duas premissas que a mim me parecem fundamentais. Por um lado, há um sistema remuneratório com uma valorização profissional muito interessante dos profissionais dos cuidados de saúde primários, primando pelo seu reconhecimento, pelo seu investimento e dotando-os como os verdadeiros gestores da sua carteira de doentes. Por outro há, de facto, uma real proximidade entre os cuidados de saúde primários e a população. Ou seja, a cada elemento de uma determinada área residencial é atribuído um médico de Medicina Geral e Família altamente valorizado e devidamente qualificado que se responsabiliza pela gestão global dos cuidados.

Curioso é depois constatar que este modelo acaba por se tornar mais barato, com elevação dos padrões de saúde representados quer por dados económicos, quer por dados de satisfação dos cidadãos, quer mesmo por dados associados à gestão das co morbilidades de cada doente.

Esta é uma gestão de proximidade, uma gestão que permite actuar in loco, precavendo e antecipando muitos daqueles que podem vir a ser os problemas.

Em Portugal tem-se intensificado o tema de descentralização de competências nos diferentes domínios. Na saúde têm sido dadas instruções e pedidas informações como forma de terminar este processo.

Parece-me que este processo se iniciou como forma de o estado se absolver de alguns custos que tendem a ser cada vez maiores. Esta é uma certeza matemática, porque se a nossa população está a envelhecer, a probabilidade de vir a padecer de problemas é superior, necessitando de cada vez mais apoios na saúde.

Ao descentralizar sem competência os portugueses poderão incorrer no risco real de uma descentralização com critérios pouco claros. Está o pais preparado para domiciliar internamentos? Tem o país oferta para as necessidades básicas em saúde? Tem o pais capacidade económica para manter os valores constitucionais do Serviço Nacional de Saúde?

A única certeza que me assalta é a de que os Médicos de Família portugueses são altamente diferenciados, e que num sistema de saúde competente, para além dos custos que poupam (quer de forma directa, quer de forma indirecta) podem incrementar de sobremaneira os padrões de qualidade da nossa saúde. Agora não podem estar assoberbados com listas de 1900 utentes, com trabalho administrativo, com responsabilidade de gestão após a alta, preocupações de integração social, de estabelecimento de parcerias com o serviço social, e com tantas outras áreas que lhes retiram o foco de olhar para aquilo que realmente interessa: a pessoa Doente!

Descentralização de Competências em Saúde? Claro que sim, mas com os mais competentes, e com os mais conhecedores... e já agora responsabilizem-nos por isso!

 

Ricardo Filipe Oliveira,

Médico;

 Doc. Universitário UP;

Lic Neurof. UP;

Mestre Eng. Biomédica FEUP,

Med.ricardofilipeoliveira@gmail.com

Www.ricardofilipeoliveira.com

Não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.


23-Apr-2018 às 12:13, Ana Sofia Silva

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