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As árvores cantam

As árvores cantam

Opinião de Joaquim Armindo.

“No nos sentiremos solos/no nos sentiremos tristes/porque los árboles tocarán el laúd./ El sonido crujiente de las hojas cantará/el cântico de victoria./ Las rocas silbáram/ con un silbido que puede realmente consolar/ a los bambús que corean/ los hijos, cantando, consolarán.” Este pequeno poema dos grupos indígenas do Mindanao, escritos no artigo de Dennis T. Gonzalez, “Obras de Misericordia Ecológicas”, inserto na revista Concilium, número de setembro do corrente ano, fazem-nos pensar sobre a nossa casa comum. Ao cantar que nunca estaremos sozinhos, nem tristes, porque as árvores tocam o alaúde, as folhas cantam uma canção de vitória, enquanto as pedras assobiam o consolo e as crianças entoam cantando a consolação, percebemos que tudo o que está à nossa volta faz parte duma imensidão de seres, constituindo a mística de São João da Cruz ou a Escritura no livro Cântico dos Cânticos. Estas árvores e estas pedras que nos rodeiam são obra da Criação, por isso também nossos acompanhantes de um futuro promissor.

A misericórdia no seu absoluto sentido que como diz Monty Python: “Todas las cosas apagadas y feas/ Todas las criaturas pequeñas y achaparradas,/ Todas as cosas groseras y repugnantes,/ (No las hizo Dios?)//Cada pequeña avispa que pica/ (No hizo él su brutal veneno? No hizo él sus horrorosas alas?).” Tudo tem um sentido na espiritualidade ecológica necessária à vida, tudo faz parte equilibrante do universo, e por isso nada será pequeno, nem feio, nem aborrecido, nem repugnante, nem hediondo, tudo é amor nos vales ou nas montanhas da vida.

O papa Francisco, bispo de Roma, propôs uma nova obra de misericórdia, “o cuidado da nossa casa comum”, que se manifesta por simples gestos, para romper com a violência e o egoísmo. Ninguém é uma ilha nesta nossa terra comum, constituindo uma nova ideia de paradigma onde tudo conta e é crime atentar contra a Natureza. As sabedorias das pedras ou das árvores, a simplicidade feita amor das crianças, são o caminho a seguir por todos nós, cuja “inteligência” é descrita como superior e, logo, dominadora dum querer comum, de um desígnio vital: que a Vida está no interior da Vida e só esta tem sentido.

 

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental

24-Nov-2017 às 11:52, Ana Sofia Silva

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