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Mau Estado

Mau Estado

Opinião de Mário Lopes.

O ano de 2017 tem sido pródigo na ocorrência de mortes de cidadãos portugueses, sendo uma grande parte delas da responsabilidade do Estado, seja por falhas na acção ou, simplesmente, pela sua injustificada ausência.

Começa a evidenciar-se um padrão de actuação que nos deve preocupar, designadamente pela crescente banalização como se encaram as mortes ocorridas em Pedrógão, em Leiria e recentemente em Lisboa, as quais são tratadas pelos governantes com a frieza dos números, como se nada do que aconteceu fosse da sua responsabilidade. Só que cada cidadão morto representa uma história de vida, que contribuiu com a sua quota-parte no desenvolvimento coletivo, que tinha família que amava e amigos que estimava. Cada um dos portugueses tombados por falhanço do Estado representa uma perda inestimável do nosso tecido social, cultural e económico, tal qual um soldado que sucumbe ao enfrentar sozinho o inimigo, mesmo após a deserção do seu comandante. Por muito que a alguns seja conveniente, todas estas mortes não podem justificar-se por fatalidades, por azar ou carma. Elas ocorreram porque nós falhamos como sociedade, na forma como escolhemos quem delegamos a responsabilidade de administrar o Estado em nosso nome. Falhamos, porque não soubemos fiscalizar o que está a ser feito e o que está por fazer. Falhamos quando nos convencemos que os políticos são todos iguais pelo que não vale a pena votar, colocando nas mãos de alguns a escolha que a todos afecta. Falhamos porque sistematicamente nos demitimos das nossas obrigações cívicas, sendo pouco exigentes com quem nos governa, o que estimula a desresponsabilização.

Por outro lado, temos sido fustigados nas redes sociais por imagens de agentes da autoridade a serem agredidos, de seguranças privados a agredir cidadãos de forma gratuita. Tal não deve acontecer, não pode acontecer.

Constitucionalmente, cabe ao Estado o uso legal da coerção, delegada nas forças de segurança. Quando um agente é agredido, independentemente do corpo de segurança a que pertence, somos nós que somos agredidos. Cada joelhada que atingiu aquele agente mostrado nas redes sociais, atingiu cada um de nós. Esperar-se-ia ver uma sociedade completamente indignada com aquelas agressões, onde é manifesto o receio dos agentes em usar a força, alegadamente temendo represálias dos seus superiores. Lamentavelmente imperou a passividade.

Esta é também uma gritante falha do Estado, quando administrativamente inibe os agentes do uso da força, desprotegendo os cidadãos e minando a coesão social.

Deste modo, não constitui surpresa verificar os resultados de uma sondagem realizada em Outubro, na qual 48% dos inquiridos não confiam na Protecção Civil - onde também se incluem as forças de segurança -, número que, tendo em conta os recentes episódios, pecará por defeito.   

 

Licenciado em Ciências Sociais,
não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico
.

  

23-Nov-2017 às 12:12, Ana Sofia Silva

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