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O êxodo Europeu na Saúde: Seguir realização profissional ou financeira?

O êxodo Europeu na Saúde: Seguir realização profissional ou financeira?

Opinião de Ricardo Oliveira.

A União Europeia tem-se dedicado ao estudo dos seus fluxos por classe profissional. Chegadas às profissões relacionadas com a saúde chegou a conclusões muito curiosas.

Nem todos os países podem remunerar profissionais graduados de igual forma, contudo esta disparidade aumenta nas profissões na saúde, sobretudo no que aos médicos diz respeito

A liberdade de circulação é uma das pedras basilares da União Europeia. Quando esta se aplica aos cuidados de saúde, pode tornar-se um problema de dimensões graves sobretudo para os países mais pobres cujas respostas se encontram mais limitadas

Efectivamente, o relatório concluiu que há mais médicos e enfermeiros a procurarem melhores condições (profissionais ou económicas) do que em qualquer outro curso graduado dentro da União Europeia. Os fluxos encontrados centram-se na movimentação de Este para Oeste e de Norte para Sul, sendo que será mais pronunciado nos países mais a Sul e nos países mais a Este que coincidem com os países mais pobres, concluindo o relatório que “estes países se dedicam a formar médicos para os países ricos”.

O processo educativo dos médicos é longo e muito caro, sendo depois difícil oferecer uma remuneração que se coadune com a exigência formativa a que ficam sujeitos. As remunerações europeias divergem entre os mínimos de 814 Euros pagos na Roménia até os mínimos de 4000 euros pagos no Luxemburgo, Alemanha, entre outros. Desta forma, os profissionais seguem o rastilho das melhores condições económicas, sociais e profissionais.

Um dos exemplos traçados no relatório em cima citado diz respeito, por exemplo, à Estónia, um dos países a Este mais pobre. Os médicos de Família neste país, foram abandonando o serviço público, e emigrando para outros países à procura não só de melhores condições, mas também de reconhecimento profissional interpares. A Roménia é outro dos países apontados, e parece-me que Portugal caminhará nesta filosofia. Os índices em saúde destes 2 primeiros países caíram dramaticamente com este êxodo. Aliás na Roménia foram perdidos 10% dos seus profissionais de cuidados de saúde primários, o que em vez de conduzir a uma poupança (devido à diminuição grave de recursos humanos), conduziu ao caos, e a um incremento brutal nas despesas em saúde com excesso de procura e de medicação. Mas nem tudo foi mal uma vez que os médicos de família acabaram por ver reconhecido o seu papel e a sua  importância bem como a importância dos cuidados de saúde primários, oferecendo melhores condições e lentamente começando a construir o que havia desabado. Estes países descobriram de forma abrupta aquilo que deveriam ser politicas estruturais e programadas. Aprenderam de forma bruta a realidade dos números quando se pensa neles como números e não como pessoas que deles beneficiam ou se prejudicam.

A Estónia tem sido um exemplo com o reconhecimento dos profissionais de saúde, ajustando a formação às necessidades, mas também os honorários ao grau de responsabilidade. Este caminho foi iniciado em 2010, e na data que escrevo já há relatórios de grande recuperação dos principais indicadores de saúde. Efectivamente, esta experiência, conduziu inclusivamente a uma revisão dos apoios que a União Europeia deve dar a todos os países para que esta assimetria de oferta, procura, qualidade oferecida em cuidados de saúde possa ser menorizada, e os europeus em geral beneficiarem de qualidade idêntica em todos os locais de europa, com repercussão idêntica em todos os seus principais indicadores.

Dito isto, parece-me mais uma vez importante levantar a necessidade de reformas estruturais, a necessidade de promover a qualidade de saúde, e com isso responsabilizar os seus profissionais oferecendo-lhes uma remuneração adequada ao seu grau de responsabilidade.

Sem isto, os profissionais de qualquer área serão sempre tentados a seguir o filão ...

 

Ricardo Filipe Oliveira,

Médico;

Pós graduado em Acupuntura Médica

Doc. Universitário UP;

Lic Neurof. UP;

Mestre Eng. Biomédica FEUP,

Med.ricardofilipeoliveira@gmail.com

Www.ricardofilipeoliveira.com

Não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.

08-Nov-2017 às 17:23, Ana Sofia Silva

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