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O professor Marcelo e o aprendiz Costa

O professor Marcelo e o aprendiz Costa

Opinião de Victor Dias.

A dura intervenção do Presidente da República que soprou a mais do que inevitável queda da Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, só veio comprovar que o Professor Marcelo é mestre em matéria de jogo de cintura política.

As suas qualidades de excelência, na lúcida análise dos factos, condimentada com as informações que recebe através dos canais próprios que foi estendendo ao longo da vida, explicam com muita clareza, o golpe de asa que teve, ao antecipar-se ao seu antigo pupilo e desse modo, ser ele, Presidente, a mandar na agenda política do governo e do país.

Confesso que enquanto cidadão português, entristece-me que as elites governantes não saibam discernir a imergência do dever e da dignidade da pessoa diante a inevitável transitoriedade dos cargos públicos de pendor democrático. Há sempre um tempo para tudo, ou seja, para entrar e para sair, mas sempre com dignidade e honra.

Ao fim e ao cabo, acabei por ter pena da Ministra, ao ver que diante a tempestade foi sucumbindo às investidas da oposição, dos media e da rua, acabando por cair, porventura não tanto pela sua incompetência, mas sobretudo por completa inabilidade política, revelando-se completamente ingénua, ao deixar-se utilizar como linha avançada que foi dando cobertura ao Primeiro-Ministro.

Mas o maior escândalo político, é ver a extrema-esquerda cerrar fileiras e desmultiplicar-se em cambalhotas ideológicas, disfarçadas por uma conversa mole e discurso da treta, com medo que o governo caia e a geringonça se escangalhe estatelada no Parlamento.

E essa indisfarçável aflição do PCP e do BE, acontece porque sabe que se for preciso, Costa, é bem capaz de piscar o olho a Cristas e formar uma nova caldeirada parlamentar, para se manter em S. Bento.

Há certamente muitos detalhes que escapam à maioria silenciosa que vê, lê e ouve somente o que os amplificadores mediáticos difundem, sendo que são poucos os de alta-fidelidade.

Mesmo assim, pelo que nos é dado conhecer, o Primeiro-Ministro, antigo discípulo do Professor Presidente, embora não tenha gostado muito de ter tido uma negativa que lhe baixou a média da sua popularidade, aprendeu a lição e agora já sabe que com o Mestre da política, o fator “timing” tanto pode jogar a favor como contra, consoante a imergência dos assuntos políticos.

Costa terá sido um bom aluno e em matéria de manuseamento dos cordelinhos nos bastidores já provou que sabe bastante, tendo passado com distinção no exame em que destronou Tó Zé Seguro da liderança do PS. Mas agora que está no poder, tem-se metido numas ensarilhadas jeitosas. Vejam só os casos mais recentes, Pedrogão e Tancos. 

Agora que o caldo entornou, os indefetíveis “costistas” vêm todos a terreiro dizer que o governo ficou chocado e que estava tudo combinado, para só dizer à “criançada”, quer dizer ao povo português, que a infantilidade de despachar a Ministra só iria acontecer depois do Conselho de Ministros do célebre sábado.

Em política a memória é de facto muito curta. Mas quem se pode esquecer que Costa desvalorizou a demissão da Ministra afirmando que isso era uma infantilidade?

E quem se pode esquecer dos passeios do Professor Presidente, de braço dado com o Primeiro-Ministro discípulo?

E podemos esquecer o suporte que Marcelo deu ao governo e à Ministra à sua chegada a Pedrogão?

Agora que o Presidente disse basta de paninhos quentes, já é isto e aquilo.

Como afirmou o Professor Presidente, antes de ser essas duas individualidades, ele é pessoa e tal como qualquer um de nós, tem direito à indignação e ao exercício da Magistratura da ação, diante o gélido vazio de compaixão.

Já ouvi a muita gente humilde e simples, o desabafo de que o Presidente Marcelo é a última esperança para confiar no ESTADO… Se porventura isso ainda é possível, num Estado em que os juízes decretam sentenças segundo crenças próprias e estados de alma, em vez de julgar os factos pelos factos e aplicar com Justiça a Lei…

 

Victor Dias
08-Nov-2017 às 16:42, Ana Sofia Silva

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