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Uma nova ordem

Uma nova ordem

Opinião de Luís Mamede.

Mundialmente estamos apreensivos; na Europa vivemos num impasse; na Península a ferida na democracia é evidente; e em Portugal o desperdiço de recursos parece regra.

Se deixarmos para já o mundo, de si medonho e com âncora do problema em Trump e se desvalorizarmos o impasse das instituições no projeto europeu, podemos descer a bitola e passar pela Espanha, para logo desembarcar no país. Esta espécie de jangada de movimentos turbulentos e à deriva constatam o quão incerto é o rumo do regime democrático e quão agressiva está a sobrevivência por cá.

A decisão do Tribunal Constitucional de Espanha ao suspender a declaração unilateral de independência da Catalunha, o eventual pedido de asilo de Puigdemont à Bélgica e a convocação de eleições, ventiladas como livres a prazo, configuram a extensão do tumor criado. As partes nunca estiveram bem neste extremar de forças e tudo ficará irremediavelmente diferente ou mesmo mal no futuro. Um péssimo serviço aos cidadãos e à democracia, enquanto regime menos imperfeito à luz dos demais.

Por cá, a sardinha escasseia com promessas dos armadores em fazer chega-las às bancas e aos degraus de escadas em ruas mais sombrias; as tomadas de posse dos novos e eternamente velhos autarcas terminaram com a febre das posses e das distribuições de pelouro e da tão desejada vice-presidência; todas as contabilidades e mestrias políticas foram negociadas até ao natal, enquanto a triste realidade do país evidencia o que nenhum candidato terá falado em campanha e plasmado em manifesto: 87 % do território está em seca severa e 7% em seca extrema.

O cenário é grave mas, à partida, não garante votos. Se de facto não fossemos eleitores estranhos, um Isaltino não estaria a presidente de Oeiras e não suportaríamos o jogo de cadeiras na Maia. Os eleitos à Câmara e à Assembleia perceberam que valem menos, mas a forma como todo está orquestrado: presidentes e vice-presidente garantem a manjedoura com repartição diferenciada dos retornos públicos.

O povo de proximidade arranja empregos na máquina administrativas e entre vassalagem e discursos escritos por outros, os lugares de poder perpetuam-se no tempo.

Os problemas não se identificam, os cartazes só elencavam maravilhas, os beijos e abraços sinónimos de afetos indiferenciados e os benefícios, esses, só para as redes de alimento seguro. Tal como a desgraça na máquina administrativa da Proteção Civil, a que as Câmaras e Juntas de freguesia são parte do problema, facilmente percebemos que o negócio água não é visto como forma de mitigação do problema de escassez, mas sim de alimento aos olhos baços dos consumidores.

Os jardins regados são com água potável, as águas eventualmente tratadas das ETAR, se a funcionar, são devolvidas na melhor das hipóteses aos cursos de água; as sanitas utilizam água potável; muita da agricultura e indústrias pesadas (Siderurgia e SPO como caricaturas do cumulo público) abusam dela, a brincadeira com as águas pluviais, entre ausência de bacias de retenção são sintomas da irresponsabilidade dos autarcas. A Maia nos seus eternos e vazios slogans faz jus ao rótulo: parecemos ricos mas portamo-nos como pobres incorrigíveis. Um concelho que apregoa a sustentabilidade e encaderna livros iguais com capas diferentes nega a implementação de políticas e das práticas de controlo do recurso escasso, optando por medidas de fácil retorno: cobrança de serviços (consumo) sem uma justa repartição da pegada hídrica.

 

 Luís Mamede

Urbanista e Mestre em Gestão Pública

08-Nov-2017 às 16:41, Ana Sofia Silva

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