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ÂNGULO RECTO - A tragédia dos Incêndios e a nossa dor!...

ÂNGULO RECTO - A tragédia dos Incêndios e a nossa dor!...

Opinião de António Neto.

Importa antes de tudo expressar o lamento e a dor pela tragédia dos fogos que assolou o País, nesse fatídico domingo 15 de Outubro, que ceifou dezenas de vidas, deixou algumas dezenas feridas, destruiu milhares de hectares de floresta e explorações agrícolas e arrasaram casas e outros pertences das populações.

Foi uma tragédia que nos deixou com muita dor e que deve merecer de todos uma profunda reflexão, um sentido de pesar e respeito que não pode estar sujeito à instrumentalização política.

Que se apure as causas, que se investigue o que aconteceu até às últimas consequências, que se puna quem tenha de ser punido e que se tire as devidas ilações políticas, mas sem que se permita quem também teve responsabilidades políticas num passado recente (de cortes e privatizações de má memória) não sacuda a água do capote ou assobie para o lado!

Não vou repetir algumas das reflexões já expressas a propósito de Pedrógão Grande! Que se investigue, apure, puna e se decida o que se tiver de decidir, mas no imediato há que tomar medidas de apoio às vitimas, há que assegurar os procedimentos de emergência e assistência às populações afectadas pelos fogos, há que garantir habitação a quem a perdeu, há que repor as infra-estruturas e equipamentos destruídos e há que ajudar os habitantes e os pequenos agricultores que ficaram sem nada.

Há uma interrogação nuclear: - Porquê e como ocorreram centenas de ignições (incêndios) no mesmo dia, em muitos casos à mesma hora e em locais diferentes nas vésperas de alterações climáticas (chuva e descida de temperatura. Sabia-se que esse domingo seria de muito calor e vento.

É, prioritário que se tomem medidas de política florestal e que se apliquem muitas das já aprovadas, de combate à desertificação do interior, de dotação de estruturas com os meios técnicos, financeiros humanos adequados, de redução da área de plantação de eucalipto, de aposta na plantação de espécies autóctones e folhosas e de alargamento do período do dispositivo DECIF mantendo a prevenção todo o ano tendo em consideração as alterações climáticas.  

Os serviços de informação e comunicação, nomeadamente, o SIRESP – Sistema integrado das redes de emergência e segurança devem ser totalmente públicos de modo a não estarem sujeitos à lógica do negócio (do lucro).

O pacote medidas aprovadas pelo Governo no Conselho de Ministros extraordinária realizado a 21 de Outubro demonstra vontade política séria em mudar agulha de cortes cegos e de desprotecção do interior levada a efeito nos últimos anos, com particular incidência, no período da governação da direita troicana.

Há que relevar, entre outras medidas, a aprovação da Estratégia Nacional de Protecção Civil Preventiva, a reparação das responsabilidades que Estado tem para com as famílias das vítimas mortais, o plano de reconstrução do que foi destruído mediante a disponibilização de “328 milhões de euros para recuperar o que se perdeu.

A propósito da cobertura dos incêndios pela comunicação social trago à colação uma afirmação de Vicente Romano do seu livro A formação da mente submissa: - “O simples método de manipulação comunicando tão-somente aquilo que convêm implica, por definição, o silenciamento do inconveniente”:

A tragédia dos incêndios acresce a amargura pelo mau serviço prestado pela generalidade da comunicação social e pelo aproveitamento dos factos pela direita radical.


                                                                                       António Neto

                                                     Técnico Superior Acção Jurídica/Formador

                                                      (Não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico)

 

08-Nov-2017 às 16:06, Ana Sofia Silva

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