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Catalunha

Catalunha

Opinião do diretor de informação do Maia Hoje, Artur Bacelar.

A temática diária nacional, europeia e até mundial, tem versado, por maioria, a independência da Catalunha.

Durante anos a fio, como o Algarve nunca me atraiu, fiz férias, primeiramente na vizinha Galiza e anos mais tarde, na Catalunha, pelo menos 10 anos seguidos.

Não posso dizer que fui o típico turista porque convivi com as populações, fiz amizades, aprendi a entender as diferenças e a falar as línguas.

No primeiro caso, Galiza, um dia participei como convidado num debate da TV Galicia onde era discutido o que nos (Norte de Portugal e Galiza) une e divide. Para mim, em plena juventude, unia-nos a alegria de viver, ao que um outro convidado, meia idade, estudioso na matéria, professor universitário, com a sua boina preta na cabeça, das que usavam os idosos que habitualmente víamos no Minho, diz-me, num galego perfeito, que me soou a português com sotaque «sabes Artur, é que nós somos o mesmo povo e provo-te. Há 500 anos falamos a mesma língua. A Vossa língua evoluiu, a nossa foi oprimida pelos espanhóis. Somos irmãos, a nossa capital deveria ser Lisboa. Um dia seremos um país», disse para meu espanto.

Longe de naquela altura compreender tal alcance, já adulto, dei por mim a pensar numa euro-região, Galiza – Norte de Portugal, que merecia mais e era perfeita autónoma. Urge este debate, mas muito há ainda antes para fazer, como dar corpo político aos Estados Unidos da Europa para que as revoluções de romance barato, não sejam sequer opção. Todos diferentes, todos iguais e unidos.

Como referi, conheço muito bem a Catalunha, os Catalães. Sei que existem milhares, milhões quem sabe, que, de outras origens, apenas lá vivem para trabalhar e outros tantos que lá moram por opção. Que grande risota é esta das razões históricas?

Na actual sociedade globalizada, mas pouco instruída historicamente, dividem mais os espanhóis as opções clubísticas que as históricas.
Chegado a este parágrafo, além de alguns impropérios dignos dos melhores e mais actuais dicionários, já os “Tugas” elitistas pró-independência, minoritários, estão a dizer que não percebo nada disto porque certamente pensarão que os Catalães são um povo diferente, com um nível cultural histórico elevado, de quase 100%. Que os milhões que enchem as fábricas alemãs lá instaladas, são catalães de gema. O povo é igual lá e cá, continua a saber mais a pontuação do Barça na Liga do que sobre o papel de Franco na nova Catalunha.

O que se passa na Catalunha não passa de um romance, como soi agora dizer-se “de pacotilha”, onde uma visão apaixonada de uma falsa independência, no contexto de um mundo global, é um disparate.

Como democrata que sou, certo é que, como ouvi dizer «todos os povos têm o direito de decidir, livremente e sem constrangimentos, o seu enquadramento geopolítico e a forma de organização que entendam melhor satisfaça as suas necessidades coletivas». O que não têm direito de o fazer é de forma unilateral, sem qualquer principio democrático. As eleições de Dezembro dar-me-ão razão ou não.

Neste capítulo o que se passou na Catalunha foi uma farsa. Uma farsa de uns tantos senhores “grandes” que certamente não trabalham no campo, no comércio ou na forte indústria internacional lá plantada.

Com esta opinião, não esqueci o dia em que parei o carro para perguntar onde ficava o estádio do Barcelona «El Nou Camp por favor?», questionei sabendo que estava perto e recebi de volta um “trocista” encolher de ombros. De volta ao carro, ouvi «espera», o homem chamou-me e colocando as mãos nos meus ombros, fitando-me como um louco nos olhos, disse-me «vi que a tua matricula do carro era estrangeira e por isso te digo, andas até aos semáforos e voltas à esquerda, e lá vais encontrar o “Camp Nou”! Percebes? Nunca digas “Nou Camp” isso é para os espanhóis. Percebes? Mas percebes mesmo?», fiquei atónito, mas lá passou.

Muitos outros episódios tenho para contar, como aquele dia em que num talho, tive de fazer de tradutor entre uma Galega (cliente) e um Catalão (talhante) que não se entendiam sobre o que queriam. Ri-me por ter feito tal papel entre dois espanhóis e fez-me lembrar os comerciantes galegos, parolos, junto a fronteira em Tui, que juram a pés juntos que não entendem patavina de português. Lembro também quando a minha mulher, ao serviço de uma grande multinacional alemã, durante mais de um ano seguido foi fazer uma pós-graduação a Barcelona, apanhando o avião de segunda-feira de manhã e regressando no avião da noite do mesmo dia. Esse episódio fez-me abrir os olhos para a realidade da globalização e da sociedade sem fronteiras. Tudo está ali ao lado. A cultura, o Desporto, as Férias, tudo.

Estive lá antes dos Jogos Olímpicos, que nunca poderiam ser feitos sem o apoio financeiro de toda a Espanha. Vivi, passo a passo, ano a ano, as megas construções que se preparavam, mas nunca me esqueci de ter assistido ao telejornal do dia seguinte ao encerramento, onde o socialista, primeiro-ministro Filipe Gonzales, disse em comunicação ao país e em directo que tinha acabado a Festa «agora vamos ao trabalho e apertar o cinto», no entanto a festa ainda continuou uns meses com a andaluza Expo 92.

A Catalunha nunca será uma nação, mesmo que politicamente possa vir a ser um Estado. Há muito que a globalização nos aproximou. Que seria desse hipotético Estado, se todos os espanhóis lhes voltassem costas. A Indústria multinacional e o Emprego na Catalunha só fazem sentido com o grande mercado Espanhol. A assim não ser, fazia mais sentido fábricas direccionadas ao centro europeu, do outro lado dos Pirinéus.

Dezembro vai trazer um Natal espanhol à Catalunha, mais, um Natal Europeu, um Natal Universal, que é mesmo disso que se trata.

Silenci si us plau, la democràcia continua en moments.

08-Nov-2017 às 15:55, Ana Sofia Silva

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