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Votação tradicional PS, ditará resultado eleitoral?

Votação tradicional PS, ditará resultado eleitoral?

Opinião do diretor de informação Artur Bacelar.

As sondagens, valem o que valem e as últimas a que tive acesso não são conclusivas. Analisando vários factores, desde os últimos resultados, tendência de voto para eleições nacionais, campanha eleitoral, e a pouco mais de 15 dias do acto eleitoral, parece-me claro que António Silva Tiago será o próximo presidente da Câmara Municipal da Maia.

Para mim, as grandes questões que se colocam são:

1 - Será que “Maia em Primeiro” terá maioria?
2 - Como fica o PS/JPP?
3 - CDU manterá e aumentará?
4 - BE conseguirá eleger Silvestre Pereira?
5 - PAN, MPT e PPV/CDC como se sairão?

 

As respostas não são fáceis, muito sustentadas no comportamento dos socialistas, mas em minha opinião são as seguintes:

1 – Sim, creio que PSD/CDS terão a maioria absoluta. Embora hajam naturalmente muitos descontentes, a alternativa de centro/direita não existe e o PS/JPP, neste capítulo, não o é verdadeiramente. Na hora de votar, os partidos terão mais força junto dos indecisos e Francisco Vieira de Carvalho não provou ser alternativa para a direita, nem para a esquerda.
2 – A coligação PS/JPP apresenta um candidato, desde sempre ligado á direita, ao poder que sempre criticaram, que sai da direita do PSD para o PS. A tradicional posição de “centro-esquerda” que o PS sempre quis e onde realmente conquista votos, perde em meu entender com uma viragem à direita. Os seus militantes e simpatizantes não gostaram e creio irão demonstrá-lo nestas eleições. Tudo o que o nome “Vieira de Carvalho” possa potenciar à direita, será compensado com a perda do eleitorado esquerdista do PS. Não há um discurso capaz de agradar nem aos socialistas, nem aos desagradados do PSD que pensam que afinal as coisas não foram assim tão más. Por estes motivos creio que o PS/JPP terá uma votação muito semelhante à do PS nas últimas eleições que lhe garante dois a três vereadores, o que significa o mesmo trabalho que tem feito desde há 4 anos.
3 – Creio serem legitimas as aspirações da CDU a eleger mais um vereador. Se o eleitorado da CDU funciona como um bloco não será credível a tese do “voto útil” que alguns defendem. No panorama actual, a CDU é de facto uma alternativa aos Socialistas descontentes, principalmente os mais “encostados” à esquerda que, aliás, estão satisfeitos com a coligação parlamentar que legitima o governo central.
4 – Uma dúvida que persiste e que mexe com todos os eleitores de esquerda. Com um eleitorado ainda não muito seguro, com uma história recente, será que o eleitorado descontente PS se sentirá mais confortável com o voto no BE? É plausível. Penso que se o BE conseguir eleger um vereador, a CDU não elegerá o seu segundo. Esta é mais uma força política que depende do eleitorado PS. A transferência de votos para a CDU e da CDU para o BE também não me parece credível. O voto útil poderia cativar os eleitores do BE a votar PS, mas não creio que entendam que a candidatura de Francisco Vieira de Carvalho seja alternativa, nem esta candidatura tem endereçado a sua atenção a estes eleitores.
5 – PAN, MPT e PPV/CDC, são os “outsiders”, os novos elementos na equação. Comecemos pelo PAN. O exemplo dado neste último mandato na Assembleia Municipal em que o próprio eleito acusou o partido de “fundamentalistas”, em nada favorecerá o PAN. Qualquer lista a concurso na Maia defende os animais, a sua grande bandeira, pelo que não atrairá novos votantes. Se os 3% registados na Assembleia Municipal se transferirem para a Câmara Municipal será um bom resultado, mas creio que estes eleitores terão outros interesses em jogo e para a CM votarão em outros partidos consolidados.

 

Já o MPT, sendo uma alternativa para a direita, também o é para a esquerda. É uma lista quase genuinamente de independentes, patrocinada por um partido registado que aceitou todas as condições que lhe foram impostas. Creio que os eleitores também assim o verão, como os independentes nesta história. Como se irá comportar é difícil dado que nunca houve candidaturas independentes. Pode ser uma surpresa e pode até ultrapassar o PAN.
O PPV/CDC, sinceramente, é minha opinião que praticamente ninguém conhece nem saberá o que quererá dizer tais siglas. Ninguém conhece o candidato e tivemos alguma dificuldade em o contactar. Convidado pelo nosso jornal para uma entrevista disse não estar interessado por ter ficado desapontado com outra que recentemente lhe fizeram e que apenas nos lembramos dele agora. De facto, a assim ser, nem nos lembramos desta candidatura, nem da do PSD/CDS que ainda não aparecera nas nossas páginas e está nesta edição, onde, em condições de igualdade era nossa intenção estar esta. Também temos a certeza que não fomos contactados para a sua apresentação. Assim sendo, nada mais terei para dizer sobre as espectativas desta candidatura.

Debate

Nota final para o “alegado debate” feito esta semana num jornal nacional, que de debate nada teve. Para mim o “debate” não passou de uma entrevista individual, com 6 entrevistados na sala, onde apresentou muito pouco de debate e ideias. Não houve vencedores, nem vencidos, mas teve o valor de mostrar perfeitamente a postura de cada candidato. Se nitidamente Vieira de Carvalho esteve lá para, pela negativa atacar Silva Tiago, já todos os outros candidatos apresentaram a sua versão programática. Fontes Maia foi um outsider que corria em pista própria. O MPT não esteve presente, justificou, e apenas perdeu a oportunidade de apresentar as suas propostas, porque debate não existiu.
O debate mostrou um candidato da coligação PS/JPP nervoso, incomodado com os apartes do candidato PSD/CDS,  que o obrigou a uma troca de palavras mais “forte”, acusando Silva Tiago de «nunca ter trabalhado» e das suas funções serem «um emprego» ao que este respondeu que «está a falar dele próprio… nunca tiveste um emprego», mas o “debate” entre os dois foi mais longe com Vieira de Carvalho a dizer que «eu já sei que não sabe o que vai fazer à sua vida se perder as eleições, compreendo o seu desespero» e Silva Tiago responde-lhe que «o quê? tenho uma profissão, tenho uma licenciatura», Vieira de Carvalho afirmou «e eu sou Mestre», com Silva Tiago a responder «Mestre em quê? É mentira», numa altura em que os restantes candidatos já não conseguiam disfarçar o sorriso pela troca de palavras.
Um debate que nada acrescentou aos interesses maiatos.

 

25-Sep-2017 às 15:45, Ana Sofia Silva

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