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As solteiras do regime

As solteiras do regime

Opinião de Orlando Leal.

Há um mês o país estava a arder, os sistemas de comunicações falharam, morreram pessoas… muitas pessoas. Os políticos foram ao local, lamentaram a situação, disseram que seria necessário tomar medidas para que tal não voltasse a acontecer. O fogo parou e a conversa foi-se “esfumando” tal como o rescaldo dos incêndios.
Depois o país chorou, ergueu-se de solidariedade, começaram a chegar os donativos, foi realizado um espetáculo para angariação de fundo para o restabelecimento da normalidade possível depois da catástrofe. Demonstramos ser um povo GIGANTE e responsável e conseguiram-se os apoios necessários para que os afetados pudessem começar de novo.
Depois começou a discussão acerca de quem deveria ser o responsável pela gestão de todo esse dinheiro acumulado, até parecia mais difícil encontrar um gestor para uma verba muito substancial do que obter a verba propriamente dita. A diferença foi que para a obtenção da verba foi a sociedade civil a mover-se enquanto que para a gestão da mesma já envolvia entidades e organismos tutelados pelo poder político.
Mas a coisa lá foi andando, depois veio o problema de Tancos, e os incêndios passaram para segundo plano, até deu para alguns responsáveis pela nação irem de férias. E esta semana, um mês após a tragédia… O país volta a arder, o sistema de comunicações volta a falhar e os políticos voltam a lamentar-se e os prejuízos a acumular.
Desta vez não há perdas humanas, mas muita produção agrícola fica perdida e a economia de uma região muito afetada. A comunicação social começa a fazer mais perguntas e alguém aplica a lei da rolha, impedindo os operacionais locais de prestarem declarações e centralizando toda a comunicação em Lisboa, para que só seja transmitido aquilo que se quer transmitir dos gabinetes.
Hoje felizmente a chuva voltou a parte do território nacional e assim conseguiu combater o avanço das chamas, sendo que a natureza ajudou e o fogo acalmou. Provavelmente alguns responsáveis políticos poderão voltar as férias e as culpas aparentemente voltarão a ficar solteiras.
Ao que me parece vamos passar mais um verão triste e queimado, mas entraremos no outono sem que nenhum responsável governativo assuma que não esteve à altura do seu cargo e apresente a demissão, ou que o chefe de governo tome essa iniciativa e demita quem não teve competência para a função.
Na política, como na vida, acima dos cargos devem estar sempre as responsabilidades e a honra. Quem conhece estes valores sabe ter a hombridade de assumir os erros e sair, quem não tem deixa andar e tenta mante o seu lugar independentemente da falta de competência para o desempenhar.
24-Jul-2017 às 11:41, Ana Sofia Silva

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