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Ser Cristão

Ser Cristão

Opinião de Joaquim Armindo.

1.- Muitas vezes nos perguntamos o que é ser cristão, hoje, aqui, nestas terras da Maia. Muitos de nós sabemos quais são as obrigações dos cristãos: participar na missa dominical, rezar, ler a bíblia – muitos poucos o fazem, reconheçamos -, e daqui não passamos. Ficam todos os problemas deste nosso mundo que é viver em cidade, em conjunto, de lado. Pouco não interessam os “próximos” e também reconheçamos nem temos interesse em saber quem são os “próximos”. Até zurzimos a nós próprios o grande interesse nos sacramentos da igreja, o batismo, o crisma, o casamento ou mesmo a eucaristia, mas para o maior sacramento que se faz com os “outros”, pelo interesse dos “outros”, talvez pouco pensemos ser um dos principais sacramentos da vida cristã. Como será evidente interessamos por muitos que vivem na rua, têm fome, até para calar as nossas consciências, mas pouco por este pecado estrutural que nos leva a ser “caridosos” e não ao esmagamento das causas que persistem na sociedade. E essas causas se são da sociedade, serão também bem presentes na igreja.
2.- Em si a Igreja embora sendo política, tenha pensamento político, não tem que tomar partido por este ou aquele. Mas uma coisa é a política partidária, outra a política, onde a igreja deve estar bem metida. Não pode nunca abjurar a sua condição de sentinela, profética e de intervenção. Por isso mesmo ao tomar partido pugna pelo Evangelho, e tomar partido é sempre pelo bem comum, nunca pela intervenção política partidária, inclusive dizendo em que partido se deve votar. No entanto ninguém compreenderia que os seguidores de Jesus se calassem perante as injustiças e a guerra, se calassem perante as atrocidades cometidas, quantas vezes em nome de Deus. Tem assim que pugnar não por adultérios políticos, mas pela dinamização de tantos “samaritanos” que virão dar corpo aos “cireneus”, estes que levam a cruz de todos aqueles que se encontram nas periferias.
3.- Vem isto a propósito das próximas eleições a que vamos ser chamados a votar. As autárquicas constituem um dever de todas as cristãs e todos os cristãos, e somos chamados pelo evangelho a isso. As opções partidárias são de cada um, devem ser respeitadas por todos, a intervenção política não pode para todas e todos nós ser o único dever de votar, antes pelo contrário devem ser de intervenção permanente. É necessário que as cristãs e os cristãos se envolvam nas malhas partidárias e aí se confrontem com os programas, intervenham na feitura desses programas e demonstrem que eles espelham o querer uma nova sociedade. Não pretendo defender os “democratas-cristãos” até porque não me dou com esta denominação, ser cristão é ser-se democrata, mas não ter um rótulo que não fica muito bem, embora o compreenda. No meio da política e da partidária, em particular, devem os cristãos estar, de forma clara, pois só assim teremos a autenticidade da vida cristã.

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental

07-Jun-2017 às 16:05, Ana Sofia Silva

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