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Ponto de Leituras

Ponto de Leituras

Opinião de Joaquim Jorge Silva.

No último fim-de-semana, o Município de Montemor-o-Novo, através da sua Biblioteca Municipal, celebrou o oitavo aniversário do seu Clube de Leitura, momento que aproveitou para celebrar igualmente um dos seus escritores nativos, no caso João Carlos Alfacinha da Silva, conhecido no mundo literário por Alface (1949-2007).
O evento contou com a presença de leitores oriundos das Comunidades de Leitores/Clubes de Leitura convidados que, para o efeito, se juntaram aos leitores anfitriões de Montemor-o-Novo, concretamente, de Almada, Loures e Maia.
Para a generalidade dos leitores convidados, Alface constituía até Sábado passado, um ilustre desconhecido a que se juntava uma total desconhecimento da obra.
Este Encontro, excelentemente organizado, constituiu uma óptima oportunidade para que um conjunto de leitores, em especial os não montemorenses, passassem a conhecer Alface, um autor cujo talento literário mereceria uma maior projecção e atenção.
Da diversidade de acções que pontuaram o Encontro – leitura dramatizada de um conto, Comunicações subordinadas à obra/vida do autor, discussão da obra, lançamento da reedição de “Cuidado com os rapazes” (Editora Moldoror, 2017), discussão do livro “Cá vai Lisboa”, passeio literário, entre outras – destaco uma mensagem comungada por diversos intervenientes: são os leitores aqueles que permitem recuperar e muitas vezes resgatar um autor esquecido ou desconhecido.
Com isto reforçava-se a importância conferida ao leitor na cadeia de vida de um livro. Facilmente somos levados a concordar com essa mensagem altruísta. A rede de proximidade dos leitores é, porventura, o mais poderoso veículo de publicidade para um livro. Mas este poder do leitor não ilimitado, outros aspectos concorrem e com ele conflituam por vezes.
Várias perguntas podem ser feitas: o que pode fazer o leitor se os livros se encontrarem arredados das livrarias, impossibilitando desse modo a sua aquisição? De que forma pode um leitor ter acesso a livros ou autores de que nunca ouviu falar directa ou indirectamente (via crítica literária, por exemplo)? O leitor pode fazer muito pela longevidade de um livro, mas não pode tudo. 
O convite a leitores fora da geografia de Montemor-o-Novo revelou-se um fantástico expediente para alargar o número de conhecedores da obra de Alface e exemplifica na perfeição as enormes vantagens de se trabalhar em rede. As redes de leitores (muitas vezes informais) potenciadas pelos diversos Clubes de Leitura/Comunidades de Leitores são uma ferramenta fundamental para disseminar autores e obras, alargando-lhes a geografia leitora: um autor de expressão local pode tornar-se conhecido por esta via.
Tudo isto que vimos afirmando reforça a ideia da importância que estes encontros entre leitores, dispersados pelo país, têm para autores e/ou livros. Eventos como o de Montemor-o-Novo, carecem de replicação pelo país, haja para isso promotores interessados em os levar a cabo.
06-Jun-2017 às 18:05, Ana Sofia Silva

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