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Presidente aponta «falta de viaturas» e necessidade de «explorar o DAE» nas missões da Cruz Vermelha

Presidente aponta «falta de viaturas» e necessidade de «explorar o DAE» nas missões da Cruz Vermelha

José Emílio Ferreira, novo presidente da Cruz Vermelha da Maia,quer ter desfibrilhadores em locais públicos e formar população a usar o equipamento.

José Emílio Ferreira é o mais recente delegado especial da Cruz Vermelha Portuguesa para a Delegação da Maia. A exercer funções desde o passado dia 26 de abril, foi convidado pela Direção Nacional da Cruz Vermelha, representada por Luís Barbosa. Mesmo não sendo natural da Maia, reside há cerca de 42 anos na cidade, mas foi na sua terra natal que iniciou o voluntariado, onde fundou a Delegação de Foz Côa, que neste momento tem oito anos de existência. O militar de carreira da Força Aérea esteve à conversa com o MaiaHoje, onde revelou os projetos que pretende desenvolver no futuro para a Cruz Vermelha da Maia.

MaiaHoje (MH) – Como surge o convite para presidir à Delegação da Cruz Vermelha da Maia?
José Emílio Ferreira (JEF) – Não estaria a contar com esta solicitação. Sendo natural de Foz Côa e terminando a minha carreira militar, faltaria uma Delegação da Cruz Vermelha na minha região porque ainda existe muita gente necessitada na área em que a Cruz Vermelha intervém. Por isso, foi na minha região de residência e de nascimento que eu avancei.  Deverá ser pela confiança que a Direção Nacional tem em mim e pelos projetos que conseguimos implementar em tão poucos anos. 

MH – Como presidente da Delegação da Cruz Vermelha da Maia, terá ideias para o futuro desta delegação. O que é que de imediato a Cruz Vermelha da Maia precisa de si e da sua gestão? O que propõe que seja aplicado de imediato?
JEF – De imediato, de acordo com os estudos e avaliações que fui fazendo, acho que é necessário motivar as pessoas que trabalham para a Cruz Vermelha. A delegação da Maia é um local onde existem muitos voluntários, mas senti que, eventualmente, as pessoas não estariam motivadas. Não sei se foi uma avaliação errada da minha parte, mas podemos evoluir muito mais, em muitas áreas.
Falta motivar os funcionários para que eles sintam que estão a ser apoiados e dinamizados. Temos sempre alguma dificuldade em chegar a todos e vamos ter eternamente, mas é prioritário chegarmos a todas as pessoas.
Pretendo unir e fazer intervir nas várias áreas de ação social, onde houver um carenciado nós temos que estar e temos que apoiar as pessoas que necessitam de nós. Para além de trabalharmos com todas as instituições. Prestamos serviços em todas as áreas: assistência, emergência, apoio social, ajudas técnicas. A Cruz Vermelha é a única instituição que se pode dizer que pode exercer funções em todas as áreas, até na construção de habitações quando estas se destinam a pessoas necessitadas. 

MH – Quais são as principais dificuldades com que se depara?
JEF – Temos algumas dificuldades ao nível de estruturas, essencialmente, de viaturas para completarmos a nossa missão. Penso que na Maia iremos conseguir ultrapassar os obstáculos devido ao apoio que há por parte das entidades oficiais e da sociedade civil. Sinto que se chegarmos até às pessoas, que elas vão ajudar a nossa causa, que é humanitária e para o bem de todos os maiatos, que de facto têm dificuldades. 

MH - Qual é a área que considera ser mais prioritária a nível de intervenção? O socorro ou a ação social?
JEF – Na ação social estamos bem equipados para cumprir a nossa missão, embora tenhamos ainda algum défice porque nos aparecem muitas famílias e não conseguimos servi-las na totalidade, mas o que, na minha perspetiva, carece de intervenção, sendo a Maia uma cidade do Desporto, será a área da segurança, que apresenta algumas lacunas que podem ser resolvidas na área da desfibrilhação automática.

MH – Tem algum projeto especial dentro da área do desporto?
JEF – Sim, temos um projeto que tem sido inovador, está a ser avaliado a nível nacional e internacional, foi implementado em Foz Côa com a delegação que eu também presido. Conseguimos instalar alguns desfibrilhadores automáticos externos em todas as freguesias e nalguns centros desportivos, em parceria com o município. Também com o município, conseguimos ainda um trabalho de apoio domiciliário e de rastreios em todas as freguesias.

MH – Relativamente ao desfibrilhador automático, o que é que defende? Que deverá ser a Cruz Vermelha a instalar esses equipamentos ou deverá, por exemplo, ser a autarquia a montá-los nos pavilhões e serão vocês a fazer a manutenção e a prestar a formação?
JEF - Existem duas opções. A autarquia pode adquirir os equipamentos e nós prestamos o apoio ao nível da formação, que é obrigatória porque os operacionais não podem funcionar sem ter uma delegação de competência por um médico, ou sermos nós a instalar o equipamento, darmos a formação aos operacionais, prestarmos a assistência e substituirmos os consumíveis. Na nossa perspetiva, e com o projeto implementado em Foz Côa, o que deu mais resultados e mais garantias é a última opção, em que toda a manutenção dos equipamentos e a vigilância é da responsabilidade da Cruz Vermelha. 

MH – De acordo com a legislação atual, qualquer pessoa pode operar um desfibrilhador?
JEF -  Não, tem que ter uma formação específica, tal como a Cruz Vermelha, para integrar o Programa Nacional de DAE (Desfibrilhação Automática Externa). Nós e o INEM estamos preparados com formadores por todo o país com capacidade para formar. No projeto de Foz Côa, já formamos mais de 500 pessoas.
A nossa intenção é formar muitos civis, se as autoridades competentes colaborarem, porque, obviamente, apesar de baixos, tem alguns custos. Num caso concreto, se instalarmos em pavilhões e escolas, queremos formar os profissionais porque eles podem operar com a delegação de competências. Para além de nós já termos alguns funcionários nossos que já estão habilitados, nós temos um DAE, uma parceria muito boa com o município e estamos a apoiar, quase todas as semanas, na nossa ambulância de emergência que tem sempre o equipamento pronto a operar com técnicos devidamente classificados para atuar. Agora, a nossa intenção será expandir porque esta situação é quase como um extintor, que tem que existir em todos os sítios.

MH – Quais são as instituições que poderão ajudar e que poderão ter interesse nessa área?
JEF – Acho que os municípios e as juntas de freguesia, para além das escolas, poderão ter interesse. Em Foz Côa, que não chega a ter 7 mil habitantes, estão implementados 25 equipamentos em escolas e juntas de freguesias, com operacionais formados, em que nós procedemos ao controlo do material. Interessa ter o equipamento, mas também que ele esteja operacional e, se muitos dos equipamentos que estão, por exemplo, em grandes superfícies comerciais, se fossem verificados não estariam operacionais, por isso, é importante vermos quem contratamos. A bateria e os elétrodos têm uma duração limitada, têm de ser substituídos em tempo útil porque, caso contrário, se houver uma paragem, o INEM irá intervir.

MH – Porquê a necessidade de um desfibrilhador de imediato à mão?
JEF – Porque se alguém tiver uma paragem cardíaca, os primeiros dez minutos são cruciais. Se alguém conseguir atuar durante esse tempo, a pessoa, se reverter, irá ficar sem mazelas, não ficará paralisado. Caso contrário, aqueles que ficarem com mazelas serão um encargo toda a vida tanto para a família, como para a sociedade e, essencialmente, para o Ministério da Saúde. 

MH – Qual o valor de cada desfibrilhador?
JEF – Os desfibrilhadores, são pagos e instalados pela Cruz Vermelha. Ass entidades que contactarem connosco pagam uma avença que poderá andar entre os 90 e os 100 euros por mês. No serviço está incluído o equipamento, os consumíveis, a formação e acompanhamento dos operacionais. Perante algum problema, os nossos operacionais ajudarão as pessoas a elaborar o relatório. Damos formação permanente e de seis em seis meses acompanhamos. Substituímos os elétrodos, que tem uma duração de sensivelmente um ano, e também a bateria, que tem um valor entre os 300 e os 400 euros. Se o software do equipamento evoluir, substituímos o software ou o equipamento. Isto será uma vantagem para nós, mas, eventualmente, as entidades poderão acordar com a Cruz Vermelha e pagar 40, 50 ou 60 euros em função das missões que vamos fazer. Damos formação, acompanhamos o pessoal e eles terão que adquirir o equipamento, bem como todos os componentes.

MH – Quais as situações que, a médio ou curto prazo, pretende prestar à Cruz Vermelha?
JEF – Irei tentar, junto das freguesias, conseguir os rastreios para a população local. Isso é uma mais valia porque, por norma, quando as pessoas vão ao médico, nem sempre são efetuados. Prefiro atuar sempre na área da prevenção porque acredito que temos que fazer a medicina preventiva e não a curativa, poderemos, nesse caso, já chegar tarde. As iniciativas de Foz Côa são um exemplo, até porque já foram galardoadas a nível nacional e internacional na área da saúde, num projeto em conjunto com a Cruz Vermelha.

MH – O que poderá trazer de novo para a Maia, uma vez que esta também já foi premiada com título de “Cidade Amiga dos Idosos”?
JEF – Na verdade, a Maia já tem muitas valências, mas falta explorar a área da desfibrilhação. Já falei com o vereador do desporto que ficou bastante sensibilizado. Neste momento, estão a estudar a situação para ver se conseguem começar a instalar este projeto.  Será um projeto que me enche de orgulho. Até porque, com o DAE já reverteram, até hoje, sete casos na Maia.

MH – Que projetos existem atualmente?
JEF – Um dos projetos que existe e que pretendo, de certa forma, realçar intitula-se “Saúde sobre Rodas”. É uma iniciativa de rastreios pelas freguesias que, se for feito com o apoio do Ministério da Saúde, é uma mais valia porque se os médicos acreditarem nos rastreios que são feitos pela Cruz Vermelha, neste caso por enfermeiros qualificados, será uma vantagem, uma vez que os utentes chegam e levam já uma quantidade de dados que eles nem sempre têm tempo para questionar como a avaliação da tensão arterial, da glicémia, do colesterol, entre outros. Este projeto poderá ser feito em unidades móveis ou até em espaços disponibilizados pelas juntas de freguesia.
A Cruz Vermelha presta também serviço de teleassistência, que apesar de funcionar a nível nacional, pode ser implementado a nível local. Pode ser ligado o equipamento ao telefone fixo de uma pessoa idosa que esteja sozinha. Em caso de problema, bastará à pessoa pressionar o botão vermelho que estará junto a si, através de uma pulseira ou de um cordão. Perante isto, a sede nacional faz acionar toda a mecânica para acudir a pessoa, portanto, irá falar para o INEM ou para alguma das nossas delegações. Mesmo com uma distância de 100 ou 150 metros do telefone, a técnica conseguirá falar com o idoso. Caso não responda, o técnico entrará em contacto com a pessoa mais próxima, sendo que a Cruz Vermelha terá todos esses contactos disponíveis. Este serviço, sendo feito através das autarquias ou de alguma entidade, poderá custar uma mensalidade de 11 euros. Para as pessoas com Alzheimer, o equipamento deteta a localização e, caso saia do raio permitido, o técnico avisará a pessoa responsável. Caso este plano seja pedido em nome individual, terá de ser efetuada a compra do equipamento, que rondará entre os 180 e os 250 euros. Horário das medicações e consultas serão sempre avisados pelos técnicos que se encontram disponíveis 24 horas por dia. 

MH – A Cruz Vermelha da Maia tem alguma unidade móvel?
JEF – Não, não tem. Posso até dizer que na Maia precisamos de algumas viaturas para cumprir a nossa missão, que já temos alguma dificuldade. Necessitamos de unidades móveis tanto na área do socorro, como no transporte de doentes. Muitas vezes, deslocamo-nos em viaturas próprias para realizar o serviço. 

MH – O que faria mais falta à Cruz Vermelha da Maia neste momento?
JEF – Precisaríamos de uma viatura e eu apelava, antes de mais, para as pessoas se unirem, tanto as entidades como a sociedade civil, para implementarmos na Maia o sistema DAE Se com o projeto salvarmos uma vida, já vale a pena. Nesse sentido, temos muitas necessidades como todos, mas a prioridade para mim seria apenas uma viatura para dar apoio às equipas que andam na rua. Temos projetos como o apoio domiciliário e aos sem-abrigo. Acho que vamos conseguir evoluir porque estamos já a sair do território da Maia até ao Porto. Sabemos que há essa necessidade, no entanto temos falta de viaturas. A Maia é vista como sendo a cidade do desporto, ou seja, a cidade ficaria no topo em todas as áreas, nomeadamente no socorro e no apoio às pessoas necessitadas. Caso seja feita a parceria com o Ministério da Saúde, os centros de saúde receberão uma compensação em função das pessoas que têm rastreadas. Se se comprovar que rastreou mais de 50% da população, a percentagem que é paga é aumentada. O projeto é abrangente a todas as freguesias do concelho. Além dos rastreios, serão feitos pequenos tratamentos de enfermagem para que os utentes não tenham que se deslocar aos centros de saúde. Fazemos ainda recolha de sangue e análises.

MH – Qualquer pessoa pode ser sócia da Cruz Vermelha?
JEF – Sim, todos podem e todos deveriam ser. O custo mínimo de ser sócio é um valor simbólico de um euro por mês. Sendo sócio, com um euro por mês, tem descontos em entidades com as quais temos parcerias, inclusive na CP e nos nossos transportes, onde poderão ter uma vantagem de 8 cêntimos em quilómetro.  Temos também um centro de enfermagem na Cruz Vermelha ao qual as pessoas poderão dirigir-se para pequenos tratamentos e onde pagarão menos que a taxa moderadora que pagam nos centros de saúde. Além disso têm acesso ao Hospital da Cruz Vermelha que, apesar de ser em Lisboa, é um hospital de excelência e que em algumas situações as pessoas não terão grande dificuldade em se deslocar dada a sua especialização. Temos contratos com várias farmácias com descontos para os nossos associados. Caso o sócio opte pelo plano que inclua serviço de médico ao domicilio, o custo não será superior a 5 euros por mês, em regime nominal. 

MH – Quantos voluntários fazem parte da Cruz Vermelha da Maia?
JEF – Neste momento, temos 50 voluntários ativos e cerca de 25 pessoas contratadas, que são funcionários da Cruz Vermelha. O objetivo passa por, no futuro, vir a empregar mais pessoas.

Ana Sofia

06-Jun-2017 às 15:00, Ana Sofia Silva

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