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Marilyn “ressuscitada” por António Azevedo

Marilyn “ressuscitada” por António Azevedo

Uma exposição para ver no Auditório Municipal Venepor.

O artista maiato que trabalha a fotografia como matéria-prima essencial das suas composições criativas, mergulhou nos últimos anos da sua carreira, na avalancha de imagens que retratam a vida breve da mítica estrela da 7ª Arte, imergindo de lá, com 120 olhares sobre Marilyn Monroe.

Creio que será difícil descobrir fotografias inéditas da atriz que saciem a sede dos cinéfilos, ou porventura mesmo dos fãs e colecionadores de relíquias das estrelas do grande ecrã. Contudo, António Azevedo dá um contributo surpreendente, surgindo com uma galeria de imagens que não sendo à priori inéditas, contemplam em todo o caso, um enquadramento concetual, conseguido pela objetiva mais sensível do artista, a sua imaginação criativa.

No seu laboratório, utilizando 47 instrumentos manuais, sem truques tecnológicos digitais ou virtuais, todo o trabalho de composição visual é alicerçado numa matriz analógica.

Há em cada uma das imagens recriadas por António Azevedo, um aturado trabalho de minúcia e precisão, em que o pormenor, claramente visível no mais ínfimo detalhe, acrescenta valor e confere uma nova dimensão crítica ao olhar do espetador.

Atrevo-me a afirmar que o António resgata às memórias de uma mulher chamada “Norma Jeane Mortenson” (Marilyn Monroe), relançando nesta exposição, todos os enigmas que ainda subsistem em torno da sua atribulada vida. E apenas digo vida, porque tal como aqui nos mostra o olhar sensível deste artista, há uma dúvida insanável que paira para sempre, refiro-me é claro, ao eterno cintilar das estrelas…

É provável que muitos de nós reconheçamos algumas dessas imagens pertencentes ao património imaterial da 7ª Arte, legado pelo talento natural e pela beleza desta “sex symbol” dos anos 40 e 50 do século passado.

De entre os vários registos celebrizados por alguns dos mais famosos fotógrafos, poderíamos, a título de mero exemplo, destacar o vestido esvoaçante, um ícone sexy que se tornou rapidamente numa das imagens de marca de Marilyn, deixando no ar uma certa ambiguidade quanto às ténues fronteiras que separam o pudor do poder, entenda-se do poder de sedução.

Na sua existência física que durou apenas uns breves 36 anos, Norma Jean, versus, Marilyn Monroe, exerceu sobre muitos homens, alguns deles famosos e milionários, uma forte e, não raras vezes, fatal atração.

Hoje, como se pode ver naqueles 120 quadros, patentes na exposição que inaugurou no passado dia 13 de Maio, é a sua imagem que exerce sobre quem a vislumbra, todo o seu magnetismo, ao ponto de se revelar quase impossível desviar o olhar.

António Azevedo toma parte neste mistério das imagens íman, acabando por desempenhar um papel semelhante ao de um mágico que provoca em nós a ilusão de uma realidade, que sendo somente memória, parece integrar o nosso quotidiano.

A lenda parou neste lugar e segue dentro de momentos. Na verdade, as imagens paradas permitem-nos ver mais fundo. Ver o que se esconde por detrás de um sorriso ou de um olhar sem maquilhagem, em que a mágoa se revela indisfarçável, mesmo diante uma pose de candura repleta de erotismo. Ou será que esta interpretação é reflexo do preconceito e do nosso conhecimento cultural, influenciado pelas várias narrativas da sua história de vida?

António Azevedo que nesta série de 120 trabalhos revela-se definitivamente um artista, compositor de imagens, recupera Marilyn, trazendo-a à sua pioneira paixão, apresentando-a na sua íntima relação com a fotografia, que a par do Cinema, garante a sua imortalidade imagética…

No momento da inauguração desta exposição, uma das suas mais bem-sucedidas sósia, surpreendeu os convidados, com uma brilhante performance artística que gerou dúvidas até entre os mais céticos, tal foi o grau de realismo que conseguiu imprimir ao seu desempenho sensual, insinuante e revivalista, que deixou a pairar um perfume a diva.

O evento contou com a presença do edil maiato, Bragança Fernandes, do Vice-Presidente, António Silva Tiago e ainda a Vereadora Marta Peneda.  

 

Victor Dias

24-May-2017 às 16:57, Ana Sofia Silva

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