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“Eternum Testamentum”

“Eternum Testamentum”

Xeque Mate de volta aos palcos e aos discos.

Uma das bandas de heavy metal portuguesas que segui mais de perto na minha juventude está de volta ao palco e aos discos.
Os maiatos Xeque Mate, que fizeram furor por todo o país, nas décadas de 70 e 80, voltaram a ligar-se ao amplificador e aí estão de regresso, em força e em grande.
Em força, porque apesar do peso dos anos, mantêm toda a sua energia musical, agora acrescida de uma experiência de vida e uma maturidade artística que confere ao seu som um carisma renovado.
“Æternum Testamentum” é um álbum de tributo à alma do XM, António Soares, razão aliás, que determinou o seu lançamento numa data que evoca a sua partida, num gesto simbólico de dedicação a um músico muito talentoso que de certo modo foi mentor do ADN dos Xeque Mate.
Surgiram já no fecho da década de 70, concretamente em 1979, e ao dar nas vistas e chamar a atenção da imprensa especializada e de outros grandes meios de comunicação, depressa foram apelidados por pais do heavy metal luso.
Recordo perfeitamente a intensidade rítmica e a densidade interpretativa do seu single de estreia, “Vampiro da Uva”, lançado em 1981, tendo a etiqueta de uma das mais conceituadas editoras nessa época, a Metro-Som, fazendo um enorme furor no mítico programa de rádio, Rock em Stock, da Rádio Comercial, assinado e apresentado por Luís Filipe Barros, uma figura que teve muita culpa na explosão do rock nacional.
Nesse ano, tinha eu apenas 19 anos, e era um indefetível admirador dos Xeque Mate, cujos vinis giravam incessantemente no meu pick-up Pioneer com o botão do amplificador sempre de gás à tábua, como era vulgo dizer-se nessa altura quando se ia aos limites de qualquer coisa.
A formação atual da banda é constituída por Xico Soares (Voz), Paulo Barros e Artur Capela (Guitarras), José Queirós (Baixo/Vozes) e Joaquim Fernandes (Bateria/Vozes).
Com o baterista dos Xeque Mate, Joaquim Fernandes, o Quim Sete e Meio para os amigos, passei umas longas e boas horas no estúdio do saudoso Fernando Rangel, a gravar os instrumentais das minhas primeiras composições de Música para crianças, que nessa altura tinha que enviar previamente à RTP, como condição “sine qua non” para as nossas participações em festivais como a Gala Internacional dos Pequenos Cantores da Figueira da Foz e o Festival da Costa do Sol no Casino Estoril, gravações que também deram aso à edição de um EP e mais tarde de um CD.
O Joaquim Fernandes é um baterista de mão-cheia que espantava toda a gente no estúdio com a sua surpreendente intuição musical. Chegava à régie, ouvia a base melódica e harmónica que o Vilas Boas tinha gravado previamente no sintetizador e já lhe bastava. Depois sentava-se à bateria e tudo se encaixava na perfeição, a bater certinho como se já conhecesse o tema há muito tempo, facilitando imenso o meu trabalho como compositor e produtor, porque com ele era tudo ao primeiro take, era muito musical e orgânico, o Quim transpirava música.
Saúdo os meus amigos dos Xeque Mate pela ousadia de nos presentear com mais um disco fabuloso e um regresso muito bem-vindo aos palcos.
Um disco novo que tem a participação do Ensemble Vocal Notas Soltas, uma das formações de maior nível e qualidade musical que existe em Portugal no seu género, sob a direção artística do Maestro Pedro Sousa, que acrescenta numa das músicas deste último álbum da banda, uma dimensão quase épica, com apontamentos harmónicos corais que enriquecem imenso esse tema.
Aos leitores apreciadores da boa Música rock, concretamente do heavy metal bem estruturado e construído, com arranjos que têm nexo e um resultado global que faz sentido, recomendo vivamente este extraordinário disco “Æternum Testamentum”, considerando que a meu ver será no futuro um álbum emblemático do repertório português do género, quer pela qualidade musical e semântica dos 9 temas, como pelo som poderoso que o Artur Capela conseguiu gravar e produzir, apresentando aos fãs e verdadeiros apreciadores do heavy metal, um resultado muito honesto que devolve tudo quanto os músicos sentiram, interpretaram e tocaram…

Victor Dias
24-May-2017 às 16:14, Ana Sofia Silva

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