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Silêncio do Governo não calará o Norte

Silêncio do Governo não calará o Norte

Artigo de opinião de Emília Santos

Existe uma tendência para a escrita de artigos de opinião numa matriz metafórica e quase sempre com recurso a tentativas de pontuação inovadoras, que fazem do nosso Saramago um conservador da escrita...
Contrariando essa tendência, escrevo o presente artigo de forma objetiva, sem recurso a figuras de estilo e a barroquismos da moda, mas com evidente inconformismo e indignação, abordando um problema grave que, a muito custo, já teve resolução e que por algum motivo inconfessável ou por mero desacerto de alguma alminha, a quem as circunstâncias políticas concederam poder decisório, voltou a impor-se na plenitude da sua injustiça, causando sofrimento e prejuízo a milhares de pessoas no Norte do País.
A Estrada Nacional 14 é uma via que, a partir da Via Norte, funciona como o eixo de ligação da Maia à Trofa e a Famalicão e para quem desconhece, circulam nessa via mais de 25.000 viaturas, sendo que 20% são pesados.
Estes três concelhos representam um dos maiores polos industriais do país, sendo que dois estão no top ten dos mais exportadores e albergam mais de 41.000 empresas. Por sua vez, estas empresas empregam mais de 125.000 trabalhadores, têm um volume de negócios superior a doze mil milhões de euros (aproximado a 7% do PIB nacional) e exportam três mil e quinhentos milhões de euros por ano.

 

Essa estrada está absolutamente congestionada e qualquer veículo para percorrer doze quilómetros demora, num dia “normal”, mais de uma hora no trânsito. Escusado será dizer que constitui uma enorme “dor-de-cabeça” para as famílias de mais de 300.000 pessoas afetadas diariamente.
No passado foi encetado um diálogo com as entidades públicas e privadas envolvidas neste processo e, finalmente, em 28 de setembro de 2015, a Infraestruturas de Portugal publicou em Diário da República o Despacho de lançamento do concurso do primeiro troço da variante entre o nó do Jumbo e a Trofa, naturalmente com projeto e financiamento assegurados. Um alívio para estas populações e empresas que aguardavam para breve o movimento das máquinas e o barulho das obras.
Mas enganaram-se todos: a maior barreira que se coloca é precisamente o silêncio do senhor ministro Pedro Marques (importa personalizar, pois a Instituição não tem culpa!).
O contributo deste ministro para o processo leva-nos a que à data de hoje o processo tenha (des)evoluido para a “fase de avaliação de propostas”.
Às dezenas de interpelações, o senhor ministro, responde com um ensurdecedor silêncio.
Se fossemos ingénuos, até poderíamos considerar esse silêncio como um sinal de que o problema estaria a ser resolvido. Mas não somos, e a esse silêncio atribuímos exatamente o mesmo significado que lhe atribuem os milhares de famílias e empresários que, quotidianamente, são massacrados por tamanha incúria e desleixo. A esse silêncio do senhor ministro atribuímos o profundo desrespeito em relação a uma população imensa e a um território composto por três Municípios governados por executivos eleitos em listas do PSD e do CDS-PP. Mas o Norte, sobretudo o Norte laranja, ninguém consegue calar!

 

 

Deputada à Assembleia da República

 

 

16-Dec-2016 às 12:07, Ana Sofia Silva

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