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Sem esperança não há Paz

Sem esperança não há Paz

Artigo de opinião de António Silva Tiago

Tenho por hábito, depois da minha jornada de trabalho, ver os noticiários do fim da noite e folhear mais calmamente os jornais, para fazer a minha própria leitura da marcha do Mundo.

Atendendo a que esse exercício diário acontece já a uma hora tardia e propícia ao silêncio, a minha reflexão ocorre com a tranquilidade que me ajuda a procurar entender a raiz dos problemas do Mundo atual.

A realidade que se apresenta diante os olhos de todos, sobretudo onde impera a violência extrema, onde a guerra, o despotismo e os abusos de poder atentam contra a dignidade humana, tem quase sempre causas semelhantes em todo o lado. Causas que não variam muito e que contam no seu rol com motivações como o egoísmo, a ganância, a soberba, o fanatismo, o radicalismo e perversão.

Firmo cada vez mais fundo a convicção de que todos esses males que causam sofrimento e dor, nas populações e muito em particular nos mais desprotegidos, como os mais velhos, as mulheres e crianças, é resultado da miséria e da falta de esperança em que muitos povos estão mergulhados.

O recrutamento, fanatização e radicalização de gente que se dispõe a ingressar nas fileiras das organizações terroristas, prontas para uma prática sanguinária, barbaramente atroz e desumana, encontra terreno sempre mais fértil, nas vidas de pessoas, principalmente jovens sem horizontes de futuro, sem projeto de vida e sem esperança.

Mas não se pense que esse recrutamento só ocorre em geografias menos desenvolvidas, pois como bem sabemos, isso acontece onde quer que essas pessoas se encontrem, independentemente da realidade económica, social ou política dos países onde vivem.

 

Comunidade de Sant’Egídio pela vida contra a pena de morte

 

No passado dia 30 de Novembro, a convite da Comunidade de Sant’Egídio do norte de Portugal, sediada na Maia, tive a oportunidade de participar no evento “Cidades pela vida contra a pena de morte”, realizado na Praça do Doutor José Vieira de Carvalho, em que além dos dinâmicos jovens daquele movimento Católico, estiveram também os Escuteiros da Maia e a Fanfarra da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Moreira da Maia.

Nesse momento, devo confessar que mais uma vez senti um imenso orgulho pela juventude maiata, que ali naquele início de noite fria e ventosa, se mobilizou e fez questão de afirmar perante a comunidade e a mim próprio, a defesa dos valores da vida e dos direitos humanos, repudiando energicamente a pena de morte.

No discurso que proferiu a jovem Diana Ferreira, percebeu-se inequivocamente, que todos aqueles jovens estão animados por um profundo espírito humanista, revelando-se abertos a um diálogo fecundo e sem preconceitos, que não se coloca nem numa posição etnocêntrica, nem assume nenhuma supremacia teocêntrica, embora não escondam a sua condição de Cristãos Católicos.

Vi nestes nossos jovens maiatos, como aliás tenho encontrado por toda a Maia, uma juventude perfeitamente alinhada com a mundividência proclamada pelo Papa Francisco.

Esta disponibilidade para o outro, esta solidariedade genuína, este acreditar vigoroso que os faz acreditar e abraçar causas maiores de toda a Humanidade, revela que a nossa juventude, a juventude maiata, tem projeto de vida e tem esperança.

Ao voltar ao título deste meu escrito, quero regressar ao âmago da minha reflexão que não é exclusivamente território da política, embora tenha aí a essência das respostas necessárias. E o ponto onde a essência da conflitualidade, da violência, da guerra e do terror tem o seu epicentro, é a meu ver, o deserto da desesperança.

Só combatendo as desigualdades, a injustiça, a miséria e carência de quase tudo, só quando se devolver a dignidade humana e as pessoas não estiverem condicionadas pelas suas necessidades básicas, terão disponibilidade mental e material para exercer na plenitude a sua Liberdade.

 Em suma, só quando as pessoas voltarem a ter esperança, serão verdadeiramente livres para se afastarem e repudiarem por seu livre arbítrio, todas as tentativas de as instrumentalizar, seja lá em nome do que for…

Creio que esta foi também uma das mensagens que os jovens da Comunidade de Sant’Egídio da Maia nos deixaram, significando com a sua esperança, uma inspiradora Liberdade e autonomia de escolha que os leva a abraçar a vida e a repudiar, através de ações concretas, a mais indigna, inaceitável e aviltante pena que a “Justiça” pode e, infelizmente, ainda aplica, em demasiados países do Mundo, a condenação à morte.

Hoje inspirado pelo contributo desta comunidade de jovens generosos, como sempre fiz desde que tomei consciência dos valores éticos e morais, na minha condição de cidadão humanista, declaro-me ainda mais veementemente contra a pena de morte!...

  

Vice-Presidente da
Câmara Municipal da Maia

16-Dec-2016 às 11:12, Ana Sofia Silva

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