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Salão de Motos de Competição em Esposende

Salão de Motos de Competição em Esposende

A dois dias (dias 29, 30 e 31) do arranque do 1º Salão de Motos de Competição em Esposende, o MaiaHoje entrevistou o antigo piloto e antigo campeão nacional de Superbikes, Alex Laranjeira, mentor da ideia e seu principal impulsionador.

- Alex, como surgiu uma ideia arrojada como esta? Em Esposende por ser a sua terra?

Houve dois motivos: O primeiro surgiu quando há dois anos a Câmara de Esposende me atribuiu um diploma de Mérito Desportivo pela minha carreira, e aproveitei o contato com as pessoas para lançar a ideia; A segunda é que já faço isto na associação em França, portanto tenho experiência com alguns destes meus amigos e lancei-lhes a ideia de fazer também em Portugal, onde tenho a facilidade de me dar muito bem com toda a gente da área do motociclismo, desde pilotos a dirigentes, ou seja, estou como peixe na água.

Contudo só fui ter com a Câmara em Abril passado. Fui bem recebido e apoiado desde o primeiro momento. A Câmara é o principal apoio financeiro, mas há muita gente e empresas a ajudar, porque são precisas muitas paletes, muitas telas, discos de travões, flores, árvores, madeiras, vídeos, projetores, enfim uma estrutura muito grande, e todos dão um pouco. Em Setembro estive cá em Portugal e fui ao Moto Clube da Guia e novamente à Câmara onde deixei um caderno de encargos com tudo o que seria necessário. Quando regressei em Novembro reunimos e está tudo a seguir conforme o planeado, graças a estas entidades e ao seu empenho. A Federação de Motociclismo também foi muito simpática comigo e com o projeto. Tenho muito a agradecer-lhes.

- Que motos vão estar em Salão?

Vamos ter 40 motos de competição com grande variedade desde o Trial à Velocidade, passando pelo Cross, Enduro, e até motas usadas no Dakar, mas tudo de pilotos portugueses. É a primeira edição e uma experiência. Caso tudo corra bem e o projeto se possa repetir, aí poderemos alargar o âmbito e trazer também motos de fora do país, especialmente de França onde continuo muito ligado. O nosso objetivo mínimo é receber cerca de 2.000 visitantes. Caso a afluência seja boa, o entusiamo reine, e o deve/haver não comprometa, em Fevereiro faremos um ponto de situação e logo veremos se será para continuar, mas, um passo de cada vez. Para já há entusiasmo de toda a gente: Fiz um mini-video no facebook ( https://www.facebook.com/alex.laranjeira.54/videos/189827591371332/?pnref=story ), que já leva mais de 4300 visualizações.

Por sua vez o Evento aí criado ( https://www.facebook.com/events/858503160937485/ ) também tem tido muita intervenção, apoio e partilhas, o que me deixa muito satisfeito e otimista para uma casa cheia, um marco para a nossa terra, e muito provavelmente o nosso objetivo mínimo largamente ultrapassado.

- E os pilotos presentes?

Paulo Gonçalves (Dakar), Miguel Oliveira (vice-campeão mundial), Tiago Magalhães, Rui Reigoto, André Pires, etc, dispensam apresentações pelos seus êxitos, mas vai haver matéria para passar bons momentos e partilha de emoções de quem gosta de desporto e de motos. Mas só saberá se estiver presente. É ali mesmo ao lado do Continente de Esposende, a 300 metros da saída nº 19 da A28, a 50Km do Porto, portanto com fáceis acessos para todos, bom estacionamento e um preço muito acessível de apenas 2 euros.

- Os nossos leitores, especialmente os mais novos vão querer saber quem é o Alexandre Laranjeira. Foi piloto em França, foi piloto em Portugal, pode explicar-nos?

Comecei a correr em 1981, em França no troféu Yamaha com uma RD350LC completamente sozinho, sem mecânico. Aliás vão estar em exposição as minhas duas primeiras motos.

No primeiro ano a minha história resume-se a 7 quedas, que eu digo foram de aprendizagem, de tal forma que no ano seguinte cheguei a campeão de França, mas nem recebi a taça, nem o título me foi entregue pois só nessa altura é que se lembraram que sendo português não poderia ser campeão em França! Poderia correr em troféus e afins, mas para ser aceite campeão teria que ser francês, portanto naquele ano não houve campeão!

Ainda me tentaram convencer a naturalizar-me Francês, mas não aceitei. Sou português com muito orgulho e apesar de continuar a fazer a maior parte da minha vida em França, não quero mudar de nacionalidade - Nasci português, português hei-de morrer!

É verdade que tinha uma bonita carreira para avançar em França, mas optei pela minha terra e vim correr para cá, mesmo trabalhando em França e com as dificuldades que isso acarretava. Posso ter ganho muito menos no campo desportivo e financeiro, mas não me arrependo porque estive onde sempre senti pertencer.

Em Portugal fui campeão 3 vezes. Em 1985 nos 80cc, e por duas vezes em Superbike (1988 e 1991), e depois nunca fiz menos que 3º lugar, totalizando 35 vitórias em Superbike entre 1991 e 1996. Fui o primeiro português a ganhar em Macau (1992), e fiz um 4º lugar no Mundial de Resistência e nas 24h de Spa. Abandonei aos 40 anos porque fisicamente é muito difícil andar com uma mota a 320 Kms/h, passa de um prazer a um sacrifício, e não gosto de sofrer.

- Tem alguma palavra para as pessoas?

Queria agradecer a todas as pessoas da nossa zona. Todos a quem solicito ajuda, ninguém me fechou a porta e até foram além do que pedia, demonstrando um entusiamo que me emociona. Isto é muito importante para mim. Ao público apelo que apareça em massa, ajudando ao êxito deste evento, e se possível ao lançamento das bases para uma próxima ediação ou até a sua repetição anual, fazendo de Esposende conhecida - entre outras coisas muito boas - também pela capital do motociclismo da saudade e do presente.

Imagens

27-Jan-2016 às 18:17, Francisco Bacelar

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